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sexta-feira, 13 de julho de 2012

São Pedro e São Paulo


Solenidade de São Pedro e São Paulo
"Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus."

Celebramos dia 01/07 a festa das duas colunas da Igreja: São Pedro e São Paulo. Pedro: Simão responde pela fé dos seus irmãos (cf. Evangelho de Mateus 16,13-19). Por isso, Jesus lhe dá o nome de Pedro, que significa sua vocação de ser "pedra", rocha, para que o Senhor edifique sobre ele a comunidade daqueles que aderem a ele na fé. Pedro deverá dar firmeza aos seus irmãos (cf. Lc 22,23).

Esta "nomeação" vai acompanhada de uma promessa infalível: as "portas" (que correspondem à cidade, reino) do inferno  (o poder do mal, da morte) não poderão nada contra a Santa Igreja de Cristo, que é uma realização do "Reino do Céu" (de Deus). Cristo lhe confia também "o poder das chaves", ou seja, o serviço de "mordomo" ou administrador de sua casa, de sua família, de sua comunidade ou cidade. Na medida em que a Igreja é a realização, provisória, parcial, do Reino de Deus, Pedro e seus sucessores, os Papas, são os administradores dessa parcela do Reino de Deus. Eles têm a última responsabilidade do serviço pastoral. Pedro sendo aquele que responde "pelos Doze", administra ou governa as responsabilidades da evangelização.
E recebe, ainda, o poder de ligar e de se desligar, o poder de decisão, de obrigar ou deixar livre.

Paulo aparece mais na qualidade de fundador carismático da Igreja. Sua vocação se dá na visão de Nosso Senhor Jesus Cristo no caminho de Damasco: de perseguidor, transforma-se em mensageiro de Cristo, "apóstolo", grande pedagogo da missão e da vida do Senhor. É Paulo que realiza, por excelência, a missão dos apóstolos de serem testemunhas do Ressuscitado até os confins da terra. As cartas de Timóteo, escritas da prisão de Roma, são a prova disso, pois Roma é a capital do mundo, o trampolim para o Evangelho se espalhar por todo o mundo civilizado daquele tempo. São Paulo é o apóstolo das nações.
No fim da sua vida, pode oferecer uma vida como oferenda adequada a Deus, assim como ele ensinou. Como Pedro, Paulo experimentou Deus como Aquele que nos liberta da tribulação.

Pedro e Paulo representam duas dimensões da vocação apostólica, diferentes, mas complementares. As duas foram necessárias, para que pudéssemos comemorar hoje os fundadores da Igreja Universal. Esta complementaridade dos carismas de Pedro e Paulo continua atual na Igreja de Cristo hoje: a responsabilidade institucional e criatividade missionária, responsabilidade de todos nós! Rezemos, pois, pelo nosso Santo Padre Bento XVI que para fiel a missão de ter o serviço da caridade de dirigir a Igreja de Cristo nos interpele para seguirmos a missão de Pedro e de Paulo para sermos testemunhas de Cristo no mundo.

Amém!


O Verbo, Paróquia de São José Esposo da virgem Maria, p.7, Ano 7, nº38, São Paulo, julho de 2012

domingo, 13 de novembro de 2011

Talentos

«Um homem ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens.»
A história é conhecida: um ganha cinco e produz mais cinco; outro, de dois cria mais dois e o que recebe um esconde o único que recebe.
Com medo.
 
Ouço sempre esta passagem do Evangelho como uma chamada de atenção importante na minha vida. Hoje, sobretudo, procurei escutá-la num sentido mais comunitário: olhar não só para mim, mas alargar o meu olhar à família a que pertenço: a Igreja. E veio-me a questão: e nós, como Igreja, qual dos três servos seríamos? De facto, muito nos é confiado, muito nos é dado. Mas, como temos posto a render o muito que recebemos? 

Confesso que, algumas vezes, me sinto preocupado com este aspecto. Em nome de uma “tradição” – por vezes mal entendida – julgo que também nós enterramos o Tesouro que recebemos. Que temos medo do risco.
Somos conservadores, no pior sentido que esta palavra possa ter. Tememos estar na linha da frente, não somos arrojados nas propostas que fazemos. Temos medo de denunciar a injustiça, a opressão, o poder despótico, a falta de liberdade. Preferimos repetir modelos. Preferimos, muitas vezes, manter tudo como está. Parece mais seguro…
Mas nesta parábola, aquele que teve medo acabou por ser rejeitado pelo seu senhor.

Como dizia, o Evangelho de hoje poderia levar-nos, nos quatro cantos do mundo onde haja catolicismo, a um exame de consciência sobre o modo como temos arriscado ser mais de Cristo. S. Paulo, na 2ª leitura, alerta-nos: «não durmamos como os outros».

Mt 25, 14-30



Copiado do post de João Manuel no blog Companhia dos Filósofos.